Encontro sobre Autorrepresentação promoveu reflexão, partilha e participação ativa na Lousã
A ARCIL promoveu, na passada sexta-feira, 23 de outubro, na Sala Multiusos do Teatro Municipal da Lousã, o encontro “Autorrepresentação: O Fruto Proibido (que não é apetecido)”, uma iniciativa organizada pelo GARCIL – Grupo de Autorrepresentantes da ARCIL, que reuniu pessoas com deficiência, profissionais, organizações e membros da comunidade em torno de um tema fundamental para a inclusão: a participação efetiva nas decisões que afetam a vida de cada pessoa.
Partindo da questão “Estamos preparados para ouvir todas as pessoas?“, o encontro constituiu um espaço de reflexão, aprendizagem e partilha sobre os desafios e oportunidades da autorrepresentação, da autodeterminação e da cidadania ativa.
A manhã teve início com o workshop “Tudo o que precisava de saber sobre autorrepresentação e ninguém me disse“, dinamizado por Sandra Marques, da Inclusion Europe, que promoveu uma reflexão sobre a importância de criar condições para que as pessoas com deficiência possam participar ativamente nas decisões que afetam as suas vidas e exercer plenamente os seus direitos.
Durante a tarde, uma tertúlia dedicada à apresentação de projetos e experiências de participação trouxe ao debate diferentes perspetivas e percursos de cidadania ativa. Participaram representantes da APPACDM de Coimbra, através do projeto Participar para Mudar, da Federação das APPC, com o projeto Vote4All, da Inovar Autismo, através do Clube de Cidadania – Direito a ter Direitos, e do Instituto Português da Afasia, representado por Francisco Branco.
Um dos aspetos mais marcantes da iniciativa foi o facto de os projetos e experiências apresentados durante a tertúlia terem sido partilhados na primeira pessoa pelas próprias pessoas com deficiência. Desta forma, o encontro não se limitou a debater a autorrepresentação: colocou-a em prática. Ao assumirem o protagonismo das suas intervenções, os participantes demonstraram a importância de criar espaços onde as pessoas possam falar por si próprias, expressar as suas opiniões e participar ativamente nas decisões e discussões que lhes dizem respeito.
Mais do que uma tertúlia sobre autorrepresentação, foi uma tertúlia feita através da autorrepresentação.
Ao longo do dia, ficou evidente que a participação efetiva não se esgota na presença. Acontece quando as pessoas têm oportunidade de expressar opiniões, fazer escolhas, influenciar decisões e contribuir ativamente para os processos que impactam as suas vidas.
A forte adesão, o envolvimento dos participantes e a riqueza das partilhas confirmaram a relevância do tema e a importância de continuar a criar espaços de escuta, diálogo e participação.
A ARCIL agradece a todos os participantes, oradores, organizações convidadas e entidades parceiras que contribuíram para o sucesso desta iniciativa, nomeadamente à Câmara Municipal da Lousã, à Junta de Freguesia da Lousã, ao Teatro Municipal da Lousã e à Provedoria das Pessoas com Incapacidade da Lousã.
Mais do que um encontro sobre autorrepresentação, esta iniciativa constituiu um exercício concreto de cidadania, demonstrando que a inclusão se constrói quando todas as pessoas têm oportunidades reais para participar, ser ouvidas e falar por si próprias.
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